Talvez a maior diferença entre a aprendizagem informal através cibercultura e a EAD online representada por uma instituição é o fato deste ter um tutor especialista que pode dar
feedbacks aos alunos. Embora a instituição dê um material diferenciado para este aluno estudar, o aluno consegue aprender consultando informações em sites, redes sociais, repositórios de vídeos (como o youtube), Recursos Educacionais Abertos (REA's, que podem estar filiados a instituições de renome), ou mesmo a opinião de outros usuários através de fóruns gratuitos. Portanto, é importante observarmos alguns aspectos sobre o feedback.
O primeiro deles é em relação ao tempo de resposta.
"É importante que os tutores tenham um papel ativo em dar feedbacks construtivos e positivos, que obedeçam ao tempo necessário para o aluno se sentir “ouvido” e que os comentários sejam personalizados. De acordo com os autores, isso irá prevenir que os alunos desistam do curso por sentimentos de desconexão e isolamento". (MILL, ABREU--LIMA, LIMA, TANCREDI, 2008, p. 123).
Consonante com essas ideias, Hara e Kling (1999) apontam
em uma pesquisa sobre as frustrações dos estudantes nos cursos
online nos Estados Unidos que os alunos desejam que o docente esteja mais “presente” e que este ofereça um feedback mais constante. No entanto, o aluno de um curso a distância pode não ter contato anterior com essa modalidade e acabar fazendo uma comparação com o curso presencial, no qual estava acostumado a receber feedback constante e imediato. Nesse sentido, Moore e Kearsley (2010) apontam que o fato do aluno recorrer ao professor por qualquer motivo vai contra o princípio de distância transacional, que considera a ausência de uma resposta imediata como algo positivo, que deva ser explorado na EAD.
Com a equipe polidocente da UAB, esse
feedback é dado pelo professor tutor a distância, que está submetido ao professor supervisor da disciplina, que tem uma função de coordenar esses tutores e supervisioná-los, no que diz respeito a parte pedagógica. No entanto,
Cuervo (2010, p. 415) observa na sua pesquisa que a partir do momento em que o professor supervisor da disciplina passa a dar os feedbacks diretamente aos alunos – o que comumente é designado ao tutor a distância – nas disciplinas “Educação brasileira” e “Didática da música” em um curso de Licenciatura em Música pela UAB, o aumento da participação dos alunos aumentou em média 60%.
Portanto, comparando o resultado obtido por Cuervo (2010) à pesquisa de Santos (2012), podemos concluir que o professor supervisor desempenha um importante papel ao supervisionar os tutores, mas se também acompanhar os alunos através do AVA pode ocorrer uma maior motivação da aprendizagem. Se ainda levarmos em conta o the 2-sigma-problem (BLOOM, 1984), que afirma que o professor com conhecimentos avançados e os tutores individuais proporcionam maior índice de aprendizagem, além das premissas apresentadas por Jorge (2012), podemos concluir que quanto mais atenção individual o aluno recebe pelo tutor ou pelo professor supervisor, pode haver maior facilitação da aprendizagem. Dessa forma, a interação humana nos parece imprescindível, e um curso automatizado vai contra a ideia defendida por esses autores.
"O que 'garante' a aprendizagem é a relação subjetiva que se estabelece entre os atores (professores –tutores –alunos). O professor precisa conhecer seus alunos –todos os seus alunos. O professor precisa conhecer seus tutores – todos seus tutores. Os tutores precisam conhecer seus alunos – todos seus alunos". (JORGE, 2012, p. 23).
Outra consideração que merece destaque é a possibilidade do tutor a distância enviar o feedback em áudio - os
audiofeedbacks-, ou mesmo vídeo. Gohn (2009) observa que na disciplina "Percussão" realizada na UFSCar em um
grupo de dezenas de alunos, que não foi possível o professor supervisor
enviar um feedback por vídeo para
cada pergunta, cabendo aos tutores a distância lidar com essa difícil questão.
Outra constatação foi que os vídeos previamente produzidos não permitem a mesma
flexibilidade dos cursos presenciais, abordando níveis diferentes. Portanto, acredito que esses recursos são uma excelente ferramenta, mas para questões mais complexas, em que é necessário recursos sonoros ou imagéticos.
Gohn (2009, p. 103-104) declara
que os softwares podem agir como um tutor incansável, prontos para dar o feedback a qualquer momento, sem a necessidade
de humanos por perto. Obviamente, cabe destacar que se essa tarefa for feita
por humanos, haverá uma riqueza de detalhes no feedback muito maior que se realizado por uma máquina. Em algumas
áreas da Música, como Percepção musical e Harmonia, onde seria necessário um
professor executar em um piano muitas repetições de exercícios em uma situação
de aula presencial, na EAD essa tarefa pode ser realizada por um software com
sucesso. No entanto, em outras áreas, os softwares não alcançam tal performance, sendo necessário a participação de um tutor. Acredito que mesmo na área de Percepção Musical e Harmonia, mesmo com todo o potencial dos softwares, muitas nuances somente são necessárias com o auxílio de um humano, como questões sobre agógica, timbre, técnica, etc.
Cabe destacar que o tutor também deve ser um especialista nos conteúdos que ajuda a ensinar e estar atento ao como eles são construídos/assimilados pelos alunos. (MILL, ABREU--LIMA, LIMA, TANCREDI, 2008). E para isso, o feedback deve ser enviado ao aluno de forma que a mensagem seja clara e objetiva, pois se trata de uma comunicação assíncrona. O tutor também precisa tomar cuidado com a escrita, pois a comunicação ocorre fundamentalmente dessa forma.
Referências bibliográficas
BLOOM, Benjamin Samuel. The 2 Sigma problem: The search for methods of group instructions
as effective as one-to-one tutoring. vol. 13, n. 6. Educational
Resercher: [s.l.], 1984. Disponível em:
GOHN, Daniel. Educação musical a distância: Propostas para o ensino e a aprendizagem de
percussão. São Paulo: USP, Escola de Comunicação e Artes, 2009.
CUERVO, Luciana. Musicalidade
na educação a distância: Reflexões sobre os usos das tecnologias de
informação e comunicação. In: Sexto
simpósio de cognição e artes musicais, maio de 2010, Rio de Janeiro. VI SICAM.
Rio de Janeiro: Escola de Música – UFRJ, 2010.
MILL; Daniel; ABREU--LIMA, Denise; LIMA, Valéria Sperduti; TANCREDI, Regina Maria Simões Puccinell.
MOORE, Michael; KEARSLEY, Greg. Educação a distância: Uma visão integrada. São Paulo: Thompson,
2010.